Na primeira ronda do debate sobre política geral com o primeiro-ministro, o líder parlamentar do PSD, Joaquim Miranda Sarmento, centrou toda a sua intervenção na perda de poder de compra real quer nas pensões quer nos salários, referindo-se à proposta apresentada na quarta-feira pelo Governo em sede de concertação social para o setor privado.

O Governo propõe aos parceiros sociais uma valorização nominal das remunerações em 4,8% em média, em cada ano, entre 2023 e 2026, de forma a garantir nesse período um aumento médio acumulado de 20% dos salários dos trabalhadores.

"O que senhor propôs ao setor privado é um aumento nominal de 20%, em linha com o aumento das previsões de inflação acumulada até 2026, ou seja, no máximo está a propor uma estagnação de salários no setor privado. Na administração pública então, haverá mesmo perda de poder de compra", acusou.

Na resposta, António Costa remeteu para segunda-feira o início das negociações com a função pública, mas deixou um recado, em forma de alerta.

"É verdade, o Governo não encontrou ainda forma de decretar o fim da inflação, mas sabemos que são necessárias medidas ajustadas para que se combata a inflação", disse.

O primeiro-ministro voltou a recuperar um livro de Joaquim Miranda Sarmento que tinha prometido ler nas férias, após o primeiro debate entre os dois, sobre o estado da nação.

"Bem procurei, mas nem aí encontrei uma varinha magia para acabar com a inflação. Uma recomendação que faço é que evitemos a demagogia e nos concentremos em apoiar as famílias e as empresas, evitando alimentar uma espiral inflacionista, onde estamos a perder amanhã o que só aparentemente estamos a ganhar hoje", apelou.

O primeiro-ministro salientou que "o país está no máximo histórico de emprego" e teve este ano o maior crescimento da União Europeia.

"Devemos dar o apoio o máximo a famílias e empresas, mas com máxima cautela para não criar uma espiral de que depois ninguém sabe sair", avisou.

SMA // SF

Lusa/fim

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