Pobreza, discriminação, marginalidade e desemprego são alguns exemplos de fenómenos sociais que levam à exclusão social. Esta realidade não é de hoje, mas hoje tem-se uma consciência mais aguda da forma como   muitos dos membros da sociedade estão privados da sua dignidade de seres humanos. Causas sociológicas para esta realidade são diversas, mas perante os factos, as medidas pensadas para reverter a situação têm-se mostrado paliativos insuficientes, sobretudo nas camadas populacionais mais afastadas do que é a norma socialmente aceite.

Desde muito cedo fui voluntária na ACERSI (Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel), uma associação fundada em 1933 por um grupo de senhoras de Coimbra, motivadas pelo triste espetáculo de pessoas e famílias com tais dificuldades económicas que nem uma refeição decente por dia conseguiam ter. E foi esse o principal objetivo nessa época.

Ao longo dos anos esta pequena associação foi evoluindo, procurando dar resposta às solicitações que lhe chegavam, passou a ser uma IPSS e o que encontrei quando a conheci “por dentro” foi uma instituição preocupada com as pessoas concretas que ali acorriam, dotada de instalações pouco adequadas aos seus objetivos, mas que eram melhoradas na medida do possível para poder cumprir com as exigências legais e, porque não dizê-lo, humanas, do trabalho que ali se realizava.

Trabalhando em rede com a Câmara Municipal, com a Junta de Freguesia, e com outras entidades, desenvolve trabalho de proximidade com a população que a procura ou que lhe é sinalizada, servindo almoços e jantares abundantes e bem confecionados, dispondo de um Centro de Dia, de Apoio Domiciliário, de Rouparia, de  Centro de Correspondência, Estudo Acompanhado e Apoio na Terapêutica Medicamentosa,  ateliers de informática, costura, aulas de ioga (Projeto Oficina dos Avós)  e do Programa Intergeracional “Abraço de Gerações”.

Tem voluntários fantásticos que asseguram atividades que, de outra maneira não poderiam concretizar-se, tem pessoal dedicado, tem sócios e recebe donativos que asseguram parte das despesas.

Parece ótimo, mas não é! Parece que resolve os problemas sociais e humanos daquele microcosmos da Baixinha de Coimbra, mas não, de maneira nenhuma!

Numa palavra, os projetos, que nos é possível desenvolver e que visam a melhoria de condições de vida daqueles que apoiamos, não traduzem políticas de capacitação para estes grupos sociais, não tendem para reverter esta situação de exclusão e com os quais o nosso trabalho, que desenvolvemos com total dedicação, mas tantas vezes com grandes dificuldades, não se revela um real contributo para o combate à pobreza e à exclusão social.

Lamento profundamente notar que não conseguimos menorizar os problemas de dependências ou de adições, não conseguimos minimizar a falta de civismo de alguns dos que nos procuram, não conseguimos evitar algum vandalismo das nossas instalações e, acima de tudo, não conseguimos que esta população se integre numa sociedade que garanta os seus direitos e da qual se sintam parte.

Resta-me afirmar que, apesar de tudo, não desistimos! Vamos contribuindo com a nossa gota de água para melhorar, na medida do possível, a vida destas pessoas!

Ana Maria Cardoso Vaz de Medeiros é Presidente da Direção da Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel

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